Assistindo ao teatro da vida...

Se considerarmos o momento em que a cortina de um palco é fechada, dividindo a sala em dois mundos tão diferentes como a plateia e os bastidores, também os nossos olhos quando encerram para o habitual período de repouso, dividem a nossa vivência em dois mundos completamente diferentes.

A minha intenção é relacionar a ligação entre estes dois mundos separados por uma cortina e estudar a perspectiva de quem na plateia analisa os bastidores, mas também de quem instalado nos bastidores, tem capacidade para analisar toda a plateia.

Sonhos... ficção ou algo mais?

terça-feira, 1 de março de 2011

MOMENTO MÁGICO...

Nos últimos tempos o meu período de repouso tem sido bastante agitado. Raramente consigo recordar os meus sonhos, mas retenho uma leve ideia de aventura e de tempos bem passados.


Fico também sugestionado com a ideia de existirem sonhos que se repetem e haverem lugares já visitados, em sonos anteriores.


Quando tal sugestão acontece, facilmente encontro capacidade, para recordar os meus sonhos.


Reflectindo sobre este assunto, considero a possibilidade de existirem dois mundos completamente distintos, proporcionando uma diferente actividade cerebral, quando o indivíduo se encontra em actividade física ou mentalmente em repouso.


Considerando esta possibilidade, verifico a necessidade de existir uma sequência tranquila entre as duas actividades cerebrais, tendo em conta o facto de o ser humano não aguentar transições bruscas e com a possibilidade de existirem acelerações cardíacas e fortes contracções musculares. Assim, como defesa, cada indivíduo cria automaticamente um organismo regulador da transição cerebral entre a passagem do repouso, para a sua normal actividade quotidiana.
A este instante, vou chamar " MOMENTO MÁGICO "


O primeiro assunto  que me proponho analisar, tem a ver com dois mundos paralelos e distintos. Imaginemos o primeiro desses mundos ocupando uma base inferior e o segundo situado num plano superior.  Cada um destes planos seria habitado por seres bem distintos e com actividades desenvolvidas, completamente diferentes.


Imaginemos que o ser humano na sua actividade quotidiana,  habita o plano inferior.  Imaginemos também que é dado ao ser humano a possibilidade de escolha em pleno sono o sono, em permanecer no plano inferior ou avançar e visitar o plano superior.


Em cada visita haverá uma distinta forma de transferência entre os planos, estando a mesma relacionada com  cada ser e a qualidade de vida que cada um adquire, evoluindo no plano inferior.


Imaginemos uma escada... imaginemos a transferência entre os dois mundos paralelos a ser realizada através dessa escada. Imaginemos ainda, uma forma sem patamares e o indivíduo subindo, degrau a degrau, tentando sem destino encontrar o topo dessa escada.


Chegados... encontramos um patamar com diversas portas, fazemos a opção, escolhendo e abrindo uma delas.
Interessante momento... à dúvida, cria-se e juntamos o impasse, rapidamente resolvemos avançar. O primeiro impacto é estar num local com uma enorme ventania e muito iluminado. A luz abundante,  tem características diferentes da habitual. Como característica principal deste novo mundo, aparece a falta de brilho e um tom azulado em tudo que me rodeava.


Regressando ao interior da escada, deparo com uma enorme e intensa azafama. Estou agora, entre muita gente e a caminhar no sentido descendente.


Seguimos ordenadamente ao longo de uma extensa escadaria e descemos tranquilos, atentos a tudo o que nos rodeia. Reparo que a meu lado seguem formas, muito cinzentas e sem brilho. Fico preocupado e a questionar-me, que formas eram aquelas, onde é que eu estava?


Tranquilamente alguém com um largo sorriso em simpática abordagem, coloca-se junto a mim. Fico mais calmo e retribuo saudando, eis quando... algo de interessante acontece.


Ao longo da escadaria a multidão sempre aprumada e alinhada, desce em formação. Cada ser segue o seu destino em completo silêncio, sem qualquer comunicação. Em minhas memórias, recordo dois elementos que se destacam e directamente interferem em toda a minha história. 


Ao meu lado seguia então, alguém com quem consigo um bom relacionamento. À minha frente, um outro indivíduo com seu ríspido olhar, reprovava indignava-se com o facto de existir um relacionamento cordial entre mim e o meu novo amigo. Por muito grande que fosse essa indignação, a simpatia do meu companheiro transbordava e o seu carinho era tal que ainda hoje, estou fascinado com as suas atitudes.


Continuando em direcção ao plano inferior, começo a sentir contracções musculares e o meu corpo apresenta uma forma rígida, originando um certo mal-estar. Por outro lado a interacção com o meu companheiro de viagem torna-se cada vez mais amistosa e estranhamente, começo a sentir-me sugestionado e com a sensação de existir uma divisão, entre o corpo e a minha mente.


Os movimentos do corpo tornam-se agora cada vez mais controlados e a rigidez começa a desaparecer... chegamos ao plano inferior! Sempre lado a lado com a entidade que amavelmente me auxiliou, dirijo-me a uma porta. Em minha mente guardo o momento em que apressadamente procurava uma saída e quando pela última vez saudei o meu companheiro. Sem perda tempo atravesso o meu portal.


Chegamos ao momento mágico... é a realidade e o instante em que os dois mundos se encontram. A mente totalmente desperta inicia a função de activar o corpo até então em repouso. Durante um pequeníssimo espaço de tempo, acumulo a minha consciência em descanso, com a actividade mental que proporciona toda a aventura descrita.
O corpo está tenso e comprimido, a mente está de regresso, mas... que estranha sensação... um ritmo cardíaco completamente louco, um som... ao longe uma música vinda não sei bem de onde, os músculos tensos estão duros e comprimidos... o ritmo cardíaco está alucinante... o telemóvel a tocar... quem está  a ligar, é tão cedo e... como estou cansado, mas é agora, sim... acordo! Já desperto, tento acalmar... o corpo começa a reagir aos estímulos, começo a controlar e a dominar os movimentos, o som deixou de tocar...oh, que horas são? Que noite... estou tão cansado...vou-me levantar...um novo dia, o meu cérebro começa finalmente a funcionar, o novo dia... entro em actividade...a noite...quem se lembra da noite...qual noite? Eu estive sempre a dormir...estive sempre, mas sempre... a sonhar.

FIM