Assistindo ao teatro da vida...

Se considerarmos o momento em que a cortina de um palco é fechada, dividindo a sala em dois mundos tão diferentes como a plateia e os bastidores, também os nossos olhos quando encerram para o habitual período de repouso, dividem a nossa vivência em dois mundos completamente diferentes.

A minha intenção é relacionar a ligação entre estes dois mundos separados por uma cortina e estudar a perspectiva de quem na plateia analisa os bastidores, mas também de quem instalado nos bastidores, tem capacidade para analisar toda a plateia.

Sonhos... ficção ou algo mais?

domingo, 10 de julho de 2011

Portal




Outras vidas,
viagens longe do corpo
vibrando em sensações,
 loucas imagens
envoltas em mistérios
percorrem estranhos cenários,
estou... além do meu corpo.

No sono deixo a mente
a pairar na penumbra,
 pensando outras histórias
 vagueio na aventura. 


Sem  explicação
retorno desse mundo
sombrio e sem cor. 
Em completa exaustão
retomo o meu lugar
despertando a minha mente.
Ténues imagens desaparecem
como cortina ocultando cenas
vividas em palco.
Fico com as memórias
pondero as minhas dúvidas!

Regressado às certezas
construo a solução,
 à teoria e à dúvida
junto a... Imaginação!



terça-feira, 1 de março de 2011

MOMENTO MÁGICO...

Nos últimos tempos o meu período de repouso tem sido bastante agitado. Raramente consigo recordar os meus sonhos, mas retenho uma leve ideia de aventura e de tempos bem passados.


Fico também sugestionado com a ideia de existirem sonhos que se repetem e haverem lugares já visitados, em sonos anteriores.


Quando tal sugestão acontece, facilmente encontro capacidade, para recordar os meus sonhos.


Reflectindo sobre este assunto, considero a possibilidade de existirem dois mundos completamente distintos, proporcionando uma diferente actividade cerebral, quando o indivíduo se encontra em actividade física ou mentalmente em repouso.


Considerando esta possibilidade, verifico a necessidade de existir uma sequência tranquila entre as duas actividades cerebrais, tendo em conta o facto de o ser humano não aguentar transições bruscas e com a possibilidade de existirem acelerações cardíacas e fortes contracções musculares. Assim, como defesa, cada indivíduo cria automaticamente um organismo regulador da transição cerebral entre a passagem do repouso, para a sua normal actividade quotidiana.
A este instante, vou chamar " MOMENTO MÁGICO "


O primeiro assunto  que me proponho analisar, tem a ver com dois mundos paralelos e distintos. Imaginemos o primeiro desses mundos ocupando uma base inferior e o segundo situado num plano superior.  Cada um destes planos seria habitado por seres bem distintos e com actividades desenvolvidas, completamente diferentes.


Imaginemos que o ser humano na sua actividade quotidiana,  habita o plano inferior.  Imaginemos também que é dado ao ser humano a possibilidade de escolha em pleno sono o sono, em permanecer no plano inferior ou avançar e visitar o plano superior.


Em cada visita haverá uma distinta forma de transferência entre os planos, estando a mesma relacionada com  cada ser e a qualidade de vida que cada um adquire, evoluindo no plano inferior.


Imaginemos uma escada... imaginemos a transferência entre os dois mundos paralelos a ser realizada através dessa escada. Imaginemos ainda, uma forma sem patamares e o indivíduo subindo, degrau a degrau, tentando sem destino encontrar o topo dessa escada.


Chegados... encontramos um patamar com diversas portas, fazemos a opção, escolhendo e abrindo uma delas.
Interessante momento... à dúvida, cria-se e juntamos o impasse, rapidamente resolvemos avançar. O primeiro impacto é estar num local com uma enorme ventania e muito iluminado. A luz abundante,  tem características diferentes da habitual. Como característica principal deste novo mundo, aparece a falta de brilho e um tom azulado em tudo que me rodeava.


Regressando ao interior da escada, deparo com uma enorme e intensa azafama. Estou agora, entre muita gente e a caminhar no sentido descendente.


Seguimos ordenadamente ao longo de uma extensa escadaria e descemos tranquilos, atentos a tudo o que nos rodeia. Reparo que a meu lado seguem formas, muito cinzentas e sem brilho. Fico preocupado e a questionar-me, que formas eram aquelas, onde é que eu estava?


Tranquilamente alguém com um largo sorriso em simpática abordagem, coloca-se junto a mim. Fico mais calmo e retribuo saudando, eis quando... algo de interessante acontece.


Ao longo da escadaria a multidão sempre aprumada e alinhada, desce em formação. Cada ser segue o seu destino em completo silêncio, sem qualquer comunicação. Em minhas memórias, recordo dois elementos que se destacam e directamente interferem em toda a minha história. 


Ao meu lado seguia então, alguém com quem consigo um bom relacionamento. À minha frente, um outro indivíduo com seu ríspido olhar, reprovava indignava-se com o facto de existir um relacionamento cordial entre mim e o meu novo amigo. Por muito grande que fosse essa indignação, a simpatia do meu companheiro transbordava e o seu carinho era tal que ainda hoje, estou fascinado com as suas atitudes.


Continuando em direcção ao plano inferior, começo a sentir contracções musculares e o meu corpo apresenta uma forma rígida, originando um certo mal-estar. Por outro lado a interacção com o meu companheiro de viagem torna-se cada vez mais amistosa e estranhamente, começo a sentir-me sugestionado e com a sensação de existir uma divisão, entre o corpo e a minha mente.


Os movimentos do corpo tornam-se agora cada vez mais controlados e a rigidez começa a desaparecer... chegamos ao plano inferior! Sempre lado a lado com a entidade que amavelmente me auxiliou, dirijo-me a uma porta. Em minha mente guardo o momento em que apressadamente procurava uma saída e quando pela última vez saudei o meu companheiro. Sem perda tempo atravesso o meu portal.


Chegamos ao momento mágico... é a realidade e o instante em que os dois mundos se encontram. A mente totalmente desperta inicia a função de activar o corpo até então em repouso. Durante um pequeníssimo espaço de tempo, acumulo a minha consciência em descanso, com a actividade mental que proporciona toda a aventura descrita.
O corpo está tenso e comprimido, a mente está de regresso, mas... que estranha sensação... um ritmo cardíaco completamente louco, um som... ao longe uma música vinda não sei bem de onde, os músculos tensos estão duros e comprimidos... o ritmo cardíaco está alucinante... o telemóvel a tocar... quem está  a ligar, é tão cedo e... como estou cansado, mas é agora, sim... acordo! Já desperto, tento acalmar... o corpo começa a reagir aos estímulos, começo a controlar e a dominar os movimentos, o som deixou de tocar...oh, que horas são? Que noite... estou tão cansado...vou-me levantar...um novo dia, o meu cérebro começa finalmente a funcionar, o novo dia... entro em actividade...a noite...quem se lembra da noite...qual noite? Eu estive sempre a dormir...estive sempre, mas sempre... a sonhar.

FIM